
Filtros para Ar
Comprimido
Como Escolher, Dimensionar
e Atender à ISO 8573
Especialista Explica
Filtros para Ar Comprimido: Guia Rápido
POR: Maria Claudia Alvarenga, da Renovar Tecnologia em Ar Comprimido
O ar comprimido é uma das principais utilidades industriais e está presente em praticamente todos os setores produtivos. No entanto, quando não tratado corretamente, pode transportar contaminantes como partículas sólidas, água e óleo.
Por isso, entender como funcionam os filtros para ar comprimido e como dimensioná-los corretamente é essencial para garantir eficiência e qualidade do processo.
Boas práticas de instalação e manutenção:
✔ Instalar sepador de condensados antes do coalescente
✔ Utilizar dreno automático
✔ Monitorar diferencial de pressão
✔ Substituir o elemento conforme especificação técnica (horas de uso ou perda de carga, o que ocorrer primeiro)
✔ Configure conforme a classe da ISO 8573-1
O Problema: Ar Comprimido Contaminado
Mesmo após a compressão, o ar pode conter:
- partículas sólidas
- água (líquida e vapor)
- óleo (aerossol e vapor)
Sem tratamento adequado, isso causa:
- aumento do consumo energético
- falhas em válvulas pneumáticas
- desgaste de equipamentos
- contaminação do processo
Tipos de Filtros Para Ar Comprimido
1. Filtros Coalescentes
Devem ser instalados antes dos filtros de partículas, atuando como etapa principal de purificação e protegendo os filtros de ponto de uso contra saturação precoce.
Essa aplicação em sequência melhora o desempenho do sistema, aumenta a vida útil dos filtros de ponto de uso (ou filtros de automação) e assegura um ar mais limpo e confiável para processos industriais.
E podem ser instalado também antes do ponto de uso. Garantindo um backup de tratamento de ar comprimido na aplicação
Os filtros coalescentes removem:
- aerossóis de óleo
- névoa de água
- partículas ultrafinas
📌 Esses filtros são essenciais em sistemas que precisam atender requisitos de qualidade do ar comprimido definidos pela ISO 8573-1. Deve ser instalado também antes do ponto de uso.
Como Funcionam os Filtros Coalescentes
Filtros industriais utilizam meios filtrantes de microfibra para remover contaminantes. Conheça os 3 Mecanismos de Filtragem em Filtros Coalescentes
1. Impacto Inercial
Partículas menores seguem o fluxo de ar, mas ao passarem próximas das fibras acabam sendo capturadas.
2. Impacto Direto
Partículas maiores (0,2 a 2 µm) colidem com as microfibras e perdem energia cinética, ficando retidas no meio filtrante.
3. Difusão Browniana
Partículas ultrafinas movimentam-se aleatoriamente e acabam colidindo com as fibras do filtro.
A combinação desses três mecanismos permite que filtros coalescentes removam partículas extremamente pequenas e aerossóis de óleo.

2. Filtros de PartículaS
Os filtros de partículas para ar comprimido são utilizados como filtros de ponto de uso, instalados próximos aos equipamentos para garantir a qualidade do ar na aplicação. Sua principal função é reter particulado — especialmente aquelas desprendidas da tubulação — após a passagem do ar por filtros coalescentes instalados anteriormente no sistema.
Essa combinação aumenta a eficiência, protege os equipamentos e reduz a manutenção.
Os filtros de partículas removem:
- Sólidos secos (poeira, ferrugem, partículas metálicas)
- Água livre (gotículas condensadas presentes na linha)
- Contaminantes maiores (partículas de maior diâmetro, normalmente visíveis ou de fácil retenção)
Como funcionam os Filtros de Partículas
O ar passa por:
- Defletor (separação centrífuga)
- Elemento filtrante de ação profunda
- Câmara de coleta com dreno geralmente manual
Micragem: Como Escolher
| 40 µm | proteção geral |
| 20 µm | linha intermediária |
| 5 µm | equipamentos sensíveis |
⚠ Regra prática: menor micragem = maior queda de pressão
Graus de Filtragem (Padrão Industrial)
| Código do Filtro | Aplicação | Partículas | Óleo | Tecnologia de Filtragem |
|---|---|---|---|---|
| SA | separação inicial de condensado | – | – | Separação ciclônica |
| A1 | Filtragem uso geral | 1 µm | 1 ppm | Microfibras + coalescência |
| A2 | Alta eficiência para óleo | 0,01 µm | 0,01 ppm | Microfibras de alta densidade |
| A5 | Ultraeficiência para aerossóis ultrafinos | 0,01 µm | 0,001 ppm | Coalescência ultrafina |
| A4 | Remoção de vapor de óleo e hidrocarbonetos | 0,01 µm | 0,003 ppm | Carvão ativado + microfibras |
Diagrama Técnico de Instalação de Filtros para ar comprimido

Essa configuração permite remover progressivamente:
- vapor de água
- partículas sólidas
- água condensada
- aerossóis de óleo
- vapores de hidrocarbonetos
Como Dimensionar os Filtros para Ar Comprimido
1. Analise a Vazão Real
Evite dimensionar apenas pela bitola da tubulação. Considerar:
- Vazão em m³/min ou Nm³/h
- Pressão de operação
- Temperatura
- Picos de consumo
2. Defina a Classe de Pureza (ISO 8573)
A ISO 8573 classifica o ar comprimido em três categorias:
- partículas sólidas
- água
- óleo (aerossol + vapor)
Cada aplicação industrial exige uma classe diferente. Exemplo:
- Indústria alimentícia → Classes mais rigorosas
- Indústria metalúrgica → Classes intermediárias
- Aplicações pneumáticas gerais → Classes menos restritivas
📌 A filtragem deve ser especificada de acordo com a exigência do processo produtivo.
Seleção por Classe de Pureza
| Classe ISO 8573 | Aplicação típica | Configuração recomendada de filtros |
|---|---|---|
| Classe 4–5 | Ferramentas pneumáticas, oficinas, uso geral | SA + A1 |
| Classe 4–5 | Automação industrial, válvulas, instrumentação | SA + A1 + Secador + A2 |
| Classe 2 | Pintura industrial, eletrônica, ar de processo | SA + A1 + Secador + A2 + ou A5 |
| Classe 1 | Farmacêutica, alimentos, laboratórios | SA + A1 + Secador + A2 + ou A5 + A4 |
Eficiência Energética: Onde Você Perde Dinheiro
Filtros saturados aumentam a queda de pressão (ΔP) no sistema de ar comprimido. Como consequência, ocorre:
- Maior consumo de energia
- Maior esforço do compressor
- Aumento do custo operacional
Por isso, a manutenção preventiva é essencial para manter a eficiência do sistema.
💡 Dica importante: manter um elemento filtrante saturado custa mais caro do que substituí-lo. O ideal é realizar a troca quando a queda de pressão atingir 0,35 bar.
Checklist de Auditoria do Sistema de Ar Comprimido
Este checklist ajuda equipes de engenharia e manutenção a verificar se o sistema está realmente atendendo a ISO 8573-1.
Verificação do sistema
✔ Vazão do filtro compatível com a vazão do compressor
✔ Classe ISO definida para o processo
✔ Presença de pré-filtragem – SA + A1
Verificação de instalação
✔ Filtro instalado após separador de condensado
✔ Secador corretamente dimensionado pela máxima carga térmica
✔ Filtro final próximo ao ponto crítico de uso (backup ponto de uso)
Verificação de operação
✔ Drenos automáticos funcionando
✔ Diferencial de pressão monitorado
✔ Elementos filtrantes dentro da vida útil
Indicadores de problema
Se algum desses sintomas aparecer, o sistema deve ser reavaliado.
⚠ aumento da queda de pressão
⚠ presença de óleo na linha
⚠ corrosão na tubulação
⚠ falha em válvulas pneumáticas e outros dispositivos pneumáticos
FAQ – Filtros para Ar Comprimido (Perguntas Frequentes)
1. Qual filtro usar para ISO 8573?
Depende da classe, mas geralmente envolve SA + A1 + A2 + A5 (+ A4 em aplicações críticas).
2. Qual a diferença entre filtro coalescente e de partículas?
Filtro de partículas remove sólidos.
Filtro coalescente remove aerossóis de óleo e água e sólidos.
3. Onde instalar filtros?
Após compressor, após reservatório, antes/depois do secador e nos ponto de uso.
4. Quando trocar o elemento?
Normalmente entre 4.000 e 8.000 horas, dependendo do fabricante, ou quando a queda de pressão ultrapassa o limite recomendado.
Conclusão
Filtros para ar comprimido não são apenas componentes — são decisivos para:
✔ eficiência energética
✔ confiabilidade do sistema
✔ qualidade do processo
Um sistema bem projetado, alinhado à ISO 8573-1, reduz custos e evita falhas operacionais.
Quer saber se o seu sistema atende à ISO 8573?
A Renovar pode analisar:
✔ qualidade do ar comprimido
✔ configuração de filtros
✔ queda de pressão
✔ eficiência energética

